Reforma Tributária: 70,3% das empresas ainda recebem a maioria das notas sem IBS e CBS

Levantamento da V360 mostra que o cenário praticamente não mudou em 76 dias; mesmo com o adiamento da rejeição automática, especialistas recomendam manter o ritmo de adequação à Reforma

Sete em cada dez empresas ainda recebem a maioria das notas fiscais sem os campos de IBS e CBS preenchidos, mostra a segunda medição do Termômetro do Crédito IBS/CBS, realizado pela V360. Ao todo, 70,3% das companhias analisadas recebem menos da metade dos documentos com as novas informações tributárias. Na primeira medição, realizada 76 dias antes, esse percentual era de 70,1%, indicando que o nível de adaptação das cadeias de fornecedores praticamente não mudou.

O dado ganha novo peso diante da Reforma Tributária: embora a rejeição automática de notas incompletas, prevista para 3 de agosto, tenha sido adiada, a ausência dos novos campos ainda pode gerar retrabalho e comprometer o aproveitamento do crédito tributário ao longo da cadeia.

A nova análise considera documentos processados até 27 de julho de 2026 e utiliza a mesma metodologia e os mesmos critérios da primeira medição, realizada em 12 de maio. Como os dois levantamentos abrangem períodos acumulados de extensões diferentes, a evolução deve ser analisada principalmente por indicadores percentuais, e não pela comparação dos volumes absolutos de documentos.

Segundo Izaias Miguel, CEO da V360, o resultado mostra que a presença da infraestrutura necessária para receber os novos campos ainda não se converteu em uma adaptação efetiva das cadeias de fornecedores.
“As empresas já conseguem receber notas com as informações de IBS e CBS, mas isso ainda acontece em uma parcela insuficiente do fluxo.

O desafio não é apenas disponibilizar os campos nos sistemas. É garantir que a informação chegue preenchida, consistente e em escala, considerando milhares de fornecedores e milhões de documentos”, afirma.

Infraestrutura existe, mas preenchimento ainda é insuficiente

Praticamente todas as empresas ativas na base já capturaram ao menos uma nota com informações de IBS e CBS. Na avaliação da V360, isso indica que a infraestrutura para receber os novos campos está presente, mas o volume de documentos corretamente preenchidos ainda não acompanhou essa capacidade.

A leitura por empresa reforça esse descompasso. Embora a maioria das companhias presentes nas duas medições tenha aumentado a proporção de notas recebidas com os novos campos, o avanço individual ainda não foi suficiente para alterar o cenário geral: 70,3% continuam recebendo menos da metade de seus documentos com as informações de IBS e CBS.

“A análise mostra que há empresas avançando, mas em ritmos e escalas muito diferentes. Como algumas operações processam milhões de documentos, melhorias pontuais não são suficientes para transformar o fluxo como um todo. A adaptação precisa alcançar a cadeia de fornecedores de forma mais ampla”, explica Miguel.

Mais fornecedores começaram a preencher os novos campos

O número de fornecedores que emitiram ao menos uma nota com informações de IBS e CBS aumentou 34,6% entre as duas medições. O movimento indica que a ponta emissora começou a se adaptar, mas ainda não em intensidade suficiente para alterar de forma relevante a realidade das empresas compradoras.

Na prática, o avanço no número de fornecedores não significa que eles passaram a preencher corretamente todas as notas emitidas. Um mesmo fornecedor pode enviar documentos com e sem as novas informações, o que ajuda a explicar por que o crescimento da adesão na ponta emissora ainda não se refletiu no indicador principal.

“Ter emitido uma nota com os novos campos é um primeiro passo, mas não representa uma adaptação completa. Para a empresa compradora, o que importa é receber as informações corretamente em todo o fluxo, porque a ausência ou a inconsistência dos dados pode exigir tratamento manual e gerar impactos fiscais e operacionais”, destaca o CEO.

Inconsistências ampliam o desafio das empresas

Além da ausência dos campos, parte das empresas também recebe documentos com inconsistências identificadas durante a validação. Embora essas ocorrências representem uma parcela pequena do fluxo total, elas já atingem 63,7% das companhias analisadas.

Isso significa que o desafio não se limita à presença ou à ausência das informações de IBS e CBS. Mesmo quando os campos estão preenchidos, os dados precisam estar consistentes com o pedido, o recebimento, o contrato, a obrigação de pagamento e os registros internos da companhia.

“As divergências estão distribuídas por grande parte da base. Isso exige capacidade para identificar, tratar e devolver rapidamente cada ocorrência, antes que ela resulte em rejeições, retrabalho ou impactos no aproveitamento do crédito”, afirma Miguel.

Eventos da Reforma ainda têm baixa adoção

O levantamento também analisou os eventos registrados junto à Secretaria da Fazenda, como ciência da operação, confirmação, recusa e procedimentos relacionados ao crédito tributário. Apesar de sua importância para a gestão do novo modelo, esses registros ainda representam uma parcela residual das movimentações observadas.

Segundo a V360, o resultado é compatível com o atual estágio do calendário de implementação, já que o recebimento e a manifestação dos eventos ainda não são obrigatórios, diferentemente da emissão dos documentos. A expectativa, no entanto, é que essa etapa se torne um dos principais desafios operacionais à medida que as novas exigências entrarem em vigor.

“Hoje, as empresas ainda estão concentradas em emitir e receber os novos campos. O próximo desafio será validar, manifestar e responder aos eventos em escala. Sem uma operação estruturada, o volume pode rapidamente se transformar em filas, retrabalho e risco para o aproveitamento do crédito”, avalia Miguel.

Crédito tributário exigirá gestão de ponta a ponta

Com a implementação do IBS e da CBS, o aproveitamento do crédito tributário passa a depender de uma cadeia mais ampla de informações, validações e manifestações. Para grandes empresas, o desafio envolve não apenas a área fiscal, mas também fornecedores, compras, recebimento, contas a pagar, financeiro, jurídico e sistemas de gestão, como SAP, Oracle, Protheus e outros ERPs.

Qualquer divergência entre pedido, recebimento, documento fiscal, contrato, obrigação de pagamento e cálculo tributário poderá exigir tratamento antes da conclusão do processo. Segundo a V360, o novo cenário exige que as empresas deixem de tratar o recebimento fiscal como uma etapa meramente operacional e passem a acompanhar a qualidade dos documentos desde a origem.

“A Reforma Tributária aumenta a dependência entre comprador e fornecedor. O crédito não será protegido apenas pela tecnologia interna da empresa, mas também pela qualidade das informações enviadas por toda a cadeia. Isso torna cadastro, homologação, validação e gestão de fornecedores ainda mais estratégicos”, afirma Miguel.

Tecnologia passa a apoiar a gestão do crédito e do débito

Para apoiar as empresas nessa transição, a V360 desenvolveu a solução Gestão da Apuração Assistida, voltada à administração do crédito e do débito tributário nota a nota, com a captura de documentos fiscais de entrada e saída e sua conciliação com o Fisco, a contabilidade, o contas a pagar e o contas a receber.

A solução permite acompanhar se o imposto foi efetivamente pago pelo fornecedor, conciliar os documentos ao longo do período de apuração e direcionar para tratamento as notas que apresentam divergências. A plataforma também apoia a atualização contábil dos créditos e a preparação das empresas para processos como o Recolhimento pelo Adquirente (RAD) e o Split Payment.

No pilar operacional, o sistema realiza o espelhamento da apuração de notas de entrada e saída, apresenta as divergências entre o Fisco e os documentos fiscais e automatiza a movimentação de créditos entre contas contábeis e o ERP. No pilar financeiro, a ferramenta identifica fornecedores com pendências e organiza as ocorrências por número de notas, tempo e valor potencialmente comprometido.

“A Reforma transforma o pagamento de tributos em uma decisão que também envolve caixa e gestão de fornecedores. As empresas precisarão saber, nota a nota, quais créditos estão disponíveis, quais dependem de regularização e quais exigem uma ação junto ao fornecedor. Sem essa visão integrada, o risco é descobrir o problema apenas no momento da apuração”, explica Miguel.

Ficha técnica do levantamento

A segunda medição do Termômetro do Crédito IBS/CBS foi realizada em 27 de julho de 2026, 76 dias após a primeira análise, conduzida em 12 de maio. Foram utilizadas a mesma metodologia, as mesmas consultas e uma base comparável de clientes.

A atualização considera 91 empresas ativas e mais de 11,6 milhões de NF-e. Desse total, 65,2% apresentavam os campos de IBS e CBS vazios, enquanto 34,8% continham as novas informações. Quando consideradas também as inconsistências identificadas durante a validação, 66,8% dos documentos apresentavam algum ponto de atenção relacionado aos novos tributos.

Na primeira medição, foram analisadas 6,4 milhões de NF-e. Como a segunda extração abrange uma janela acumulada maior, a base total de documentos aumentou 80,7%. Por isso, a passagem de 4,3 milhões para aproximadamente 7,8 milhões de notas com campos vazios ou inconsistências não deve ser interpretada como uma piora de 80%, mas como consequência da ampliação do período analisado.

O mesmo cuidado se aplica às inconsistências: o volume absoluto passou de 113 mil para aproximadamente 182 mil documentos, enquanto a incidência proporcional recuou de 1,8% para 1,6%.

Na análise por empresa, 86 companhias estavam presentes nas duas medições. Desse grupo, 51 aumentaram o percentual de documentos recebidos com os novos campos, 19 apresentaram pouca ou nenhuma variação e 16 registraram redução. Entre as 27 empresas com maior volume de documentos, 17 avançaram e três recuaram.

Os indicadores gerais são ponderados pelo volume de documentos processados por cada companhia. Já na análise por empresa, cada organização possui o mesmo peso, independentemente do número de notas recebidas.

As extrações representam cortes acumulados em datas diferentes e não correspondem a meses fechados. Dessa forma, os volumes absolutos servem como contexto de escala e não devem ser utilizados isoladamente para medir a evolução entre os dois períodos.

Sobre o Termômetro do Crédito IBS/CBS

O Termômetro do Crédito IBS/CBS é um levantamento periódico da V360 que acompanha o nível de adaptação das empresas e de suas cadeias de fornecedores às novas exigências da Reforma Tributária. Os dados são apresentados de forma anonimizada e agregada.

Sobre a V360

A V360 ajuda outras empresas a organizarem e automatizarem o processo de pagamento de fornecedores. Isso significa que, quando uma empresa precisa pagar uma conta, há várias etapas envolvidas, como receber a nota fiscal, conferir se está tudo certo, aprovar e só então liberar o pagamento. Normalmente, esse processo é feito de forma manual e pode ser demorado, sujeito a erros e até resultar em multas por atrasos ou informações incorretas.

O que a V360 faz é oferecer uma solução tecnológica que automatiza essas etapas. O sistema coleta automaticamente documentos de diversas fontes, verifica se estão corretos conforme as regras fiscais e os processos internos da empresa, e integra tudo isso com os sistemas financeiros, permitindo que os pagamentos sejam feitos de maneira mais eficiente e segura.

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